Actualidade / Imprensa
Café da manhã de trabalho no Sheraton Libertador Hotel
No dia 6 de julho passado, a STRAT Consulting organizou um café da manhã de trabalho no Sheraton Libertador Hotel, com o objetivo de reflexionar sobre a situação política e econômica do Brasil, as próximas eleições e seu impacto na macroeconomia e seus negócios.
A dissertação esteve a cargo de duas destacadas personalidades desse país:
- Embaixador José Botafogo Gonçalves, ex-ministro da Indústria e Comércio, ex-embaixador do Brasil na Argentina e atual Presidente da Strat do Brasil.
- Dr. Fabio Giambiagi, economista do IPEA, ex-funcionário do BNDES e do BID.
A seguir apresentamos uma síntese dos aspectos mais relevantes da atualidade econômica no Brasil, extraídos da exposição do Dr. Fabio Giambiagi:
- Se bem o Brasil enfrenta uma série de problemas estruturais que limitam seu crescimento, impedindo-o de alcançar o ritmo de outras economias emergentes, ele tem podido manter durante os últimos anos uma taxa média anual de crescimento do PIB entre 2 e 3%. Assim sendo, a perspectiva de crescimento anual definida pelo governo para os anos 2006 e 2007 chega a 4,5%, ao tempo que o mercado espera um crescimento de 3,5% ao ano.
- Em matéria inflacionária, o Brasil conta com um sistema de Meta Inflacionária por meio do qual o governo projeta o nível de inflação objetivo com antecipação de 2 anos. Esse objetivo para 2005 era de 4,5%, enquanto que a inflação foi de 5,7% para esse ano. A expectativa inflacionária anual para 2006 e 2007 ronda o 4,5%.
- Em matéria de endividamento o Brasil atingiu uma substancial redução do nível de dívida externa líquida como porcentagem das exportações (a partir de um acordo alcançado com o FMI), encontrando-se atualmente no nível mínimo dos últimos 40 anos. Entretanto, o Brasil caracteriza-se pelo seu elevado nível de dívida pública interna, cujo custo é, ainda, elevado em termos reais.
- Um importante desafio que a economia brasileira enfrenta é o crescente gasto primário do Governo Central, que aumentou de 16,5% do PIB em 1994 a 23% em 2006 (valor estimado). Este aumento se explica, em parte, pelo elevado gasto em segurança social (2,5% do PIB em 1998 contra o estimado 8% em 2006) resultado de um sistema que facilita aposentadorias precoces a valores altos e apreciações reais anuais. Tanto a popularidade do governo atual como a ausência de conflitos sociais graves se explica, em parte, por este sistema.Porém, este sistema é muito difícil de ser sustentado a médio e longo prazo.
- O elevado gasto primário deriva em um forte aumento da carga tributária (subiu de 25% do PIB a 37% entre 1993 e 2005) e uma queda no investimento público (caiu de 3,1% do PIB no período de 1991/95 a 2% no período de 2001/03).
- Em síntese, a economia brasileira mostra um panorama no qual os desequilíbrios do passado parecem ter ficado para trás, as contas fiscais apresentam um déficit moderado e sob controle, continua tendo superávit em conta corrente e a inflação está cedendo. Não obstante, a combinação de um gasto corrente crescente, financiado com redução de gasto em investimentos e uma alta carga impositiva, resulta em um cenário pouco proclive ao crescimento dinâmico. O principal desafio que o Brasil enfrenta é como conseguir que sua economia, que hoje não pode crescer mais de 3,5%, alcance um ritmo de crescimento contínuo de 5% ao ano. Essa meta parece ainda bastante distante.
Presentación del Dr. Fabio Giambiagi
< Voltar à lista de notícias